Um rato saltando em uma rolha de garrafa de champanhe, uma suástica disfarçada e uma menina de expressão profundamente triste. Estas são algumas das figuras que, nos últimos dias, surpreenderam as pessoas que circulam pelas ruas de Paris.

As imagens feitas em stencil e que carregam pesadas críticas à crise migratória e ao terrorismo são atribuídas a Banksy.

São pelo menos sete novos trabalhos feitos pelo artista britânico escolheu na capital francesa.

O primeiro foi percebido na quarta-feira, 20 de junho de 2018, data que marca o Dia Mundial do Refugiado. O grafite foi feito uma parede próxima a um abrigo que antes de ser fechado pelo governo federal costumava receber migrantes recém-chegados à capital francesa.

Em tinta preta, o traço característico do estêncil, uma criança negra cobre uma suástica com padrões em rosa.

Mas há também outros trabalho em alusão a atos terroristas vividos naquela mesma cidade muito recentemente. É o caso do Bataclan, a sala de espetáculos onde 90 pessoas foram assassinadas no atentado de novembro de 2015 durante um concerto da banda norte-americana Eagles of Death Metal. A poucos metros do recinto, foi pintada uma mulher que enverga um véu em sinal de luto pelas vítimas do ataque reivindicado pelo Estado Islâmico.

Num outro mural, surge uma imagem que lembra Napoleão montado no seu cavalo branco e coberto por um cobertor vermelho, como na icônica pintura do século XIX. Neste caso trata-se de uma referência à proibição do uso de burca e de véu na França.

Há ainda um outro trabalho com uma ratazana disfarçada de Minnie, com um laço vermelho com bolinhas brancas: por cima, a inscrição ‘maio 1968’, mas o 8 está caído.

Conhecido pelas suas intervenções provocadoras e por nunca aparecer publicamente nos eventos, Banksy volta agora a usar a arte para passar mensagens sociais e políticas. As imagens desta série de Paris estão também na conta de Instagram de Banksy, algumas delas legendadas com comentários, outras apenas com a identificação do local onde se encontram os trabalhos.